07.10.09
Andei, andei, andei…
Essa vida de Jovem Reporter não é fácil. Meus pés sabem disso muito bem!
Tinha duas matérias pra fazer, e estava preocupada com o horário, pois dois ‘eventos’ estavam acontecendo ao mesmo tempo, teria que correr pra pegar os dois e conseguir encontrar as pessoas certas.
Fui primeiro em uma escola primária onde tava acontecendo uma brincadeira com as crianças, baseada em cantiga de roda, tipo ‘Escravos de jó’. Foi bem legal e as crianças estavam se divertindo bastante. Fiz as fotos, as entrevistas e consegui terminar tudo rapidinho.
Depois fui procurar o espaço anexo da Casa do Menor. Muito longe.. andei, andei, andei e meu pé já tav
a todo ferrado, eu tava de Melissa e plástico sacumé.. ferrou tudo.
Quando fui pedir informação a menina já me avisou: ‘você vai por essa rua.. e anda até não ter pra onde mais seguir, lá na frente você vira à direita, e depois à esquerda’
Como assim ando até não poder mais.. se fosse assim, eu daria só dois passos e acho q n poderia continuar com a dor que tava sentido nos pés. Mas como já estava lá, segui em frente…

pequeno morrinho com que me deparei!
Até me deparar com essa ladeirinha.. eu fui pedir informação de novo, orando pra que eu não ouvir: ‘você sobe essa rua e..’
Mas não precisei subir, virei a esquerda, andei mais um pouco e encontrei.
Fui muito bem recebida, o Vagner e a Vânia – responsáveis pela Escola de Circo e Teatro- foram super solícitos, me deram todas as informações. Fiquei um tempão lá conversando com eles, e com os instrutores de percussão e dança. Realmente o trabalho que é realizado naquele espaço é muito sério, e merece o reconhecimento.
As crianças e adolescentes que estudam e ficam naquele espaço são muito bem acolhidas, e são acompanhadas em todas as áreas da vida: escolar, pessoal, profissional. E aqueles que vieram de alguma casa de correção (sim, eles recebem menores infratores) têm ali a chance de encontrar um novo caminho a seguir. Mesmo com dificuldades, e vencendo preconceitos tudo o que eles merecem é uma chance de mostrarem que podem ser mais do que aquilo que a sociedade lhes reservou como destino. Parabenizo a instituição pela preocupação de dar a essas crianças e adolescente a coisa mais importante: um voto de confiança.
Sem dúvidas valeu toda a caminhada. E cada dia que saio em busca dessas histórias eu percebo a grande oportunidade que estou tendo de rever todos os meus ‘preconceitos’. Mudar é preciso. E estou mudando.
07.08.09
Lágrimas
Hoje mais uma vez fui atrás das matérias.. e das histórias. Mas cada dia que passo percebo que são elas que veem até mim.
Cheguei numa escola para conversar com a coordenadora pedagógica para falar sobre os preparativos da festa Julina. Ela estava ocupada e tive que esperar até que ela pudesse falar comigo. Nesse meio tempo percebi que algumas crianças estavam fora de sala de aula, considerando que estavam em horário de aula, me aproximei delas e perguntei o motivo de não estarem com as outras.
Todas elas tinham um motivo em comum: estavam fazendo bagunça em sala, conversando, ou ‘perturbando’ a ordem em sala. Mas além disso percebi outras semelhanças. Iniciei a conversa despretensiosamente, bem informal, depois me apresentei e fiz algumas perguntas que poderiam render a matéria – que foi publicada sobre o uso de internet e livros em pesquisas escolares. Aos poucos eles foram falando mais de si, e percebi uma carência de atenção enorme.
A maioria deles vieram de famílias desestruturadas, grandes e pobres. E não conseguiam enxergar muito além de sua realidade. Não pude deixar de lhes contam todas as oportunidades que eles precisam criar. Uma delas é a própria escola. Eles estão tendo a oportunidade de praticar esportes ‘caros’ e diferentes, além de poder conhecer o mundo do livros e etc. Conversei um bom tempo com cada um deles. E espero ter ajudado em alguma coisa. Sei que foi extremamente insignificante pro mundo o que fiz e os poucos minutos que me dispus a ouvir aquelas crianças. Mas sei que pra elas significou alguma coisa.
Quando a secretária veio me avisar que a coordenadora já estava pronta para conversar, me despedi de todas as crianças com quem conversei. Que me pediram pra ficar. Vou voltar lá. E sei que a verdadeira escola, o verdadeiro ‘Bairro-escola’ está contido nessas pequenas-grandes histórias dessas crianças.
“As pessoas comuns podem ser extraordinárias quando a gente as conhece bem.” Gay Talese, em sua palestra na FLIP.
07.03.09
Flip 2009
Quarta-feira, 01 de julho, aconteceu em Paraty a Feira Literária Internacional, que vai até domingo.
Gostaria muito de estar presente lá, assistindo tudo de pertinho. Mas não deu, provas, trabalhos e diversas outras coisas. Quem, como eu, gostaria de estar lá, pode acompanhar a transmissão pela internet no site do evento: www.flip.org.br
Vale a pena!
06.20.09
Será mesmo necessário?
Quarta feira, 16/06, o Supremo Tribunal Federal tornou inconstitucional o inciso V do art. 4º do Decreto-Lei 972 de 1969 que fixava a exigência do diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista.
Essa decisão gerou, como era de se esperar, grande polêmica. E organizações de jornalistas, como a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e FENAJ (Federação Nacional de Jornalismo), se pronunciaram contrários à decisão. A FENAJ em seu site afirma: “A decisão é um retrocesso institucional e acentua um vergonhoso atrelamento das recentes posições do STF aos interesses da elite brasileira e, neste caso em especial, ao baronato que controla os meios de comunicação do país.” O presidente da ABI, Maurício Azêdo, espera uma atitude das entidades de jornalismo “para restabelecer aquilo que o Supremo Tribunal está sonegando à sociedade: um jornalismo feito com competência técnica e alto sentido cultural e ético”.
Hoje a Sociedade Interamerica de Imprensa expressou sua satisfação com a decisão do STF, que segundo o presidente da SIP Enrique Santos Calderón, foi uma atitude em “favor de um jornalismo plural e diverso, que não pode discriminar ninguém por sua condição a exercer a liberdade de expressão e de imprensa, um direito humano fundamental de cada ser humano“.
Há poucos dias atrás, o jornalismo , ou melhor, jornalistas sentiram-se ameaçados com o blog da Petrobrás. Utilizando-se de uma plataforma gratuita (WordPress), a empresa divulga perguntas e respostas de entrevistas na íntegra em primeira mão. Segundo o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, o que está havendo na verdade é uma revolução no jornalismo.
Pretensão ou não, não se pode negar que o presidente da ex-estatal está certo. Esses debates suscitam algumas questões importantes, e que muitas vezes nos passam despercebidas.
O que é de fato a liberdade de expressão? Até que ponto as informações são neutras, ou são apenas fatos e dados? Que interesses existem por trás dos discursos desses ministros e jornalistas? Que mudanças podem ocorrer com essa desregulamentação da profissão de jornalista? O jornalismo brasileiro representa a voz do povo, ou tenta formá-la?
Leandro Fortes se pergunta “como é que essa resolução vai repercutir nas redações dos pequenos jornais do interior do Brasil, estes já contaminados até a medula pelos poderes políticos locais. Arrisco um palpite: serão infestados por jagunços, capangas, cabos eleitorais e familiares.”
A Internet e o maior acesso a informação já é uma realidade em todo o país. Hoje qualquer pessoa pode registrar um domínio e ali discorrer sobre os mais variados temas. Esse movimento é uma via de mão-dupla, pois ao mesmo tempo em que dá a todos a capacidade ou a possibilidade de se manifestar, não cria nenhum tipo de critério quanto ao que é publicado.
Essa lei talvez reproduza essa realidade em um nível maior. Mas será que o diploma é realmente o melhor critério?
Danilo Gentili em uma entrevista ao Portal Imprensa expressou muito bem sua opinião : ”Acho também hipócrita dizerem “Ah,então agora qualquer um pode ser jornalista?”. Mas é claro que sim! Antes também qualquer um podia ser jornalista, não podia? Era só pagar uma “Unialgumacoisa” da vida por quatro anos e virar jornalista (ou, com um pouco mais de sorte, fazer o pai pagar cursinho dois anos e entrar numa faculdade federal).”
Não creio que essa lei tem o poder de mudar algo que já está posto. De fato, quem tem compromisso com o jornalismo sério continuará tendo e será reconhecido por isso. Esse pavor todo gerado devido a um possível ataque a qualidade da imprensa pode esconder, portanto, outros interesses.
06.18.09
Olhares
Precisando entregar duas matérias de qualidade em 24h, saí de casa preocupada com o que iria encontrar.
Dessa vez não tive pauta específica, e o desafio era esse, entregar duas matérias de qualidade sem pauta, ou seja, teria que procurar e encontrar duas boas histórias pra contar. Para explicar melhor, o meu trabalho deve ser limitado a um bairro da cidade em que moro. Sendo assim teria que encontrar lá boas histórias.
Peguei o ônibus sem saber direito para onde eu iria quando chegasse no bairro. Ao descer do ônibus saí andando sem destino, com os olhos e ouvidos atentos a qualquer sinal de que ali encontraria a chave para um bom enredo.
Atenta como estava, dei umas voltas na praça principal e percebi um posto telefônico. Tudo bem que ali não é o maior centro urbano do planeta, mas um posto telefonico? Isso ainda existia? Quando senti perguntas surgirem dentro de mim, senti na hora que ali seria um bom lugar para começar.
Quando entrei, a mulher que lá trabalhava olhou para mim um pouco desconfiada, e logo me apresentei. Fiz as perguntas necessárias, e em pouco tempo lá estavamos nós duas como amigas de infância. Sabia que estava certa, aquele lugar foi um achado!
Saí feliz e contente com um próximo assunto para continuar: nordestinos! Ela havia dito que grande parte das ligações interurbanas que ali eram feitas, eram destinadas a parentes deixados no Nordeste do Brasil.
Fui andando, e me perguntando onde poderia encontrar um nordestino com uma boa história para me contar. Lembrei do Mercado Popular que existe lá. E fui andando em busca da próxima pauta. Depois de apenas três matérias que fiz em toda minha vida jornalistica, já me tornei sensível o bastante para perceber quando tenho boas pautas. E sabia que aquele lugar também me renderia boas matérias.
Não sabia por onde começar, fui no box da Peixaria e conversei com um sr. muito simpático. Ele me deu um panorama geral do que era de fato aquele Mercado Popular. Partindo para um vendedor de ervas, um outro sr. me falou sobre as mudanças que ocorrera no bairro dentro desses 30 e poucos anos que ele vive ali.
Saí contente com os depoimentos que já havia conseguido, quando um grupo de homens assistindo futebol me atraiu para uma lanchonete onde um sr. muito velhinho atendia. Com toda certeza, ele me traria um outro olhar sobre as mudanças sobre o bairro.
Cheguei e me apresentei, ele tinha dificuldades para ouvir, percebi que talvez seria dificil continuar. Ele falou um pouco do que todos tinham falado. Poderia ter acabado por ali, quando uma pergunta me veio: “Como o sr. veio parar aqui?”, pois ele sempre se referia há 30 anos atrás, e como ele era bem velhinho, ele esteve em outro lugar antes.
E ele começou a contar sobre o sítio da família dele, contou sobre a mãe dele, e quando percebi mais de quarenta minutos se passaram desde a última pergunta minha. E eu encantada com tudo o que ele dizia com lágrimas nos olhos, pois há quatro anos sua mãe havia morrido.
No caminho de volta para casa vim pensando no Seu Paulo, com toda certeza despertei nele lembranças que há muito ele não se permitia falar. E pensei em quantas pessoas tem boas histórias, tem boas lembranças. Pessoas que como o Seu Paulo viram um bairro que hoje é tão desenvolvido crescer e começar do nada.
E muitas dessas histórias podem ficar esquecidas no tempo. Como historiadora não posso permitir que essas memórias se percam, e como jornalista não posso permitir que elas não continuem vivendo.
Início!
Olá a todos!
Não sei como chegaram aqui, mas espero que saiam diferentes desse blog..
Não! Eu não vou dar a receita da felicidade, nem receita de bolo de chocolate.. vou só compartilhar um pouco da minha experiência como repórter. Muitas coisas se perdem na edição das minhas matérias, e nesse espaço pretendo contar um pouquinho dos bastidores das minhas andanças por aí…
Divirtam-se e mais sejam bem-vindos!
